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GP Jornalismo, Mídia e Memória: registros do Maranhão

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 Imagem: Marcelo Cruz/Brasil de Fato

Piquiá de Baixo é uma comunidade de Açailândia (MA), marcada pela convivência com problemas relacionados à poluição desde os anos 1980, quando ganhou novos vizinhos: as indústrias de ferro-gusa, a Estrada de Ferro Carajás e o entreposto de minério da Vale S.A, conforme relata a pesquisadora Francisca Regilma de Santana Santos, da Universidade Federal do Maranhão, no artigo intitulado A “re-existência” da comunidade Piquiá de Baixo na “última fronteira”.

Foi na comunidade que a estudante de Comunicação Michely Alves encontrou seu “lugar” de pesquisa (ela mora cerca de 70 km ao sul, em Imperatriz), através do GP Jornalismo, Mídia e Memória, criado em 2016. No âmbito do Joimp, conta Michely, a divisão de trabalho entre os pesquisadores ocorre de acordo com os temas de interesse, mas também obedece a critérios geográficos. “Eu, por exemplo, pesquiso o jornalismo alternativo de Açailândia, da Rede Digital Justiça nos Trilhos”, explica.

Mais especificamente, completa, como as mulheres de Piquiá de Baixo são retratadas no trabalho desta rede, uma ONG que denuncia impactos ambientais na região. O projeto de pesquisa é realizado com apoio da Fapema – Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnológico do Maranhão.

Alves ingressou no GP em 2018, poucos meses depois do ingresso na UFMA. Hoje, aos 21 anos e prestes a concluir o curso, ela considera a experiência da pesquisa como uma transformação. “A gente enxerga o outro não apenas através das técnicas jornalísticas, mas o outro em si. Entender a realidade das pessoas como sujeitos de história através dos meios de comunicação”.

Registros – O GP Jornalismo, Mídia e Memória tem como objetivo analisar o processo jornalístico, seus sujeitos, sua produção de sentidos e as correlações desse campo com as transformações sociais, culturais, políticas e econômicas. Coordenado pela pesquisadora Roseana Arcanjo Pinheiro, o GP mantém um site http://www.joimp.ufma.br/, que também funciona como repositório do Centro de Documentação do Jornalismo de Imperatriz.

Trata-se de um acervo digital de revistas, periódicos, livros, documentários e trabalhos acadêmicos da área da comunicação. Construído através de parceria com a Fapema, mostra ainda curiosidades e documentos históricos, como um exemplar de “A Luz”, primeiro jornal impresso a circular na cidade, em 1936. Uma conexão entre academia e sociedade.

“Na formação, a gente passa pelas disciplinas de laboratório impresso, análise de conteúdo, aprende aspectos como lead, formatação, mas é sempre um impacto perceber as diferenças de como é feito hoje e como era feito antes de toda essa modernidade tecnológica das TICs”, explica Alves. Para a estudante, a pesquisa estimula não só a entender os processos, bem como investigar como e porquê eles mudaram.

Segundo Alves, parece uma quebra de paradigma, quando a linguagem científica de congressos, artigos e grupos de pesquisa se aplica ao trabalho humanizado, como é o estudo do jornalismo alternativo. “Acho que é exatamente isso que o nosso GP faz. Estudar jornalismo, memória é de uma humanidade imensurável.”

DNA maranhense – Também morador de Imperatriz, graduado pela UFMA em 2013, Antonio Carlos Santiago Freitas, integrante do Grupo de Pesquisa desde o início, faz parte da primeira turma de mestrado do Programa de Pós-graduação em Comunicação da instituição. Freitas defendeu, em junho deste ano, a dissertação intitulada “Da TV para a internet: estudo sobre o resgate e o compartilhamento de matérias jornalísticas no YouTube”.

Segundo ele, a participação no GP “significou um avanço na compreensão e na produção de conhecimento científico sobre aspectos da minha área de formação, como história do jornalismo, rotinas produtivas, jornalismo e convergência e jornalismo e poder”. A entrada no grupo também representou um mergulho na história da comunicação local, através do Centro de Documentação de Jornalismo de Imperatriz, um projeto de extensão financiado pela Fapema. “Nós digitalizamos impressos da cidade que foram doados ao acervo do Curso de Jornalismo da UFMA. Depois, com os arquivos digitalizados e disponíveis na web, iniciamos a fase de pesquisa dessas páginas”. No caso de Freitas, que estudou aspectos do Jornal “O Progresso”, no ano de 1970, o trabalho de pesquisa rendeu três artigos, que foram levados para congressos e eventos da própria UFMA. “Todo esse trabalho de pesquisa foi o primeiro passo e me preparou para construir um projeto de pesquisa para o mestrado em Comunicação. Na pós-graduação, o desafio foi relacionar a construção da memória coletiva com a comunicação digital. E isso justifica a escolha do site YouTube como objeto empírico na minha dissertação”, explica Freitas.